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Fazer um testamento nos EAU

Fazer um testamento nos EAU: guia completo para expatriados

Fazer um testamento nos Emirados Árabes Unidos deixou de ser um exercício jurídico de nicho reservado aos ultra-ricos. Tornou-se um passo essencial para expatriados, proprietários de imóveis, empresários e famílias residentes tanto no Dubai como em Abu Dhabi. O enquadramento jurídico evoluiu significativamente nos últimos anos, em particular com a introdução do Decreto-Lei Federal n.º (41) de 2022 sobre o Estatuto Pessoal Civil, que reformulou os direitos sucessórios dos não muçulmanos nos EAU.

Compreender como funcionam os testamentos no Dubai e em Abu Dhabi exige clareza sobre um ponto fundamental: na ausência de um testamento registado, a herança pode ficar sujeita às regras locais de sucessão. Para muçulmanos, a herança é regida pelos princípios da Sharia. Para não muçulmanos, a Lei do Estatuto Pessoal Civil de 2022 introduziu maior flexibilidade, permitindo plena liberdade testamentária sob determinadas condições.

Nos termos do artigo 11 do Decreto-Lei Federal n.º (41) de 2022, um testador não muçulmano pode dispor, por testamento, da totalidade dos bens que possui nos EAU. Na ausência de testamento, porém, metade do património vai para o cônjuge e a outra metade é distribuída em partes iguais pelos filhos, sem discriminação de género. Trata-se de uma mudança significativa face à atribuição tradicional baseada na Sharia.

Ao fazer um testamento no Dubai ou em Abu Dhabi, os expatriados escolhem normalmente entre diferentes entidades de registo. Abu Dhabi opera através do Tribunal Civil da Família, enquanto o Dubai oferece regimes separados de registo de testamentos para não muçulmanos. O Tribunal Civil da Família de Abu Dhabi publicou modelos de testamento bilingues e procedimentos de registo estruturados, proporcionando clareza e padronização.

O processo envolve, em geral, a redação do testamento, a nomeação de testamenteiros, a indicação de beneficiários, a definição da tutela de filhos menores e o registo formal do documento junto da entidade competente. O registo é fundamental. Um testamento não registado pode enfrentar atrasos processuais ou impugnações.

Uma consideração importante é a tutela. Sem uma cláusula de tutela registada, os filhos menores podem ficar temporariamente sob cuidados nomeados pelo tribunal até ser tomada uma decisão. Uma redação adequada elimina esta incerteza.

O planeamento sucessório nos EAU não se resume à distribuição de bens. Envolve também prevenir o congelamento de ativos. Após o falecimento, as contas bancárias podem ser temporariamente congeladas até serem identificados os herdeiros legais e concluídos os procedimentos judiciais. Um testamento devidamente registado acelera significativamente este processo.

Para muitos expatriados, as soluções digitais estão agora a simplificar a experiência. Plataformas como a EasyWill permitem preparar testamentos bilingues em conformidade com a lei dos EAU e alinhados com as normas do Tribunal Civil de Abu Dhabi, combinando tecnologia com conformidade jurídica.

Em termos práticos, o guia completo para fazer um testamento nos EAU assenta em cinco pilares: compreender a lei aplicável, escolher a jurisdição certa (Dubai ou Abu Dhabi), redigir com clareza, registar corretamente e atualizar periodicamente. Não abordar qualquer um destes elementos pode expor a sua família a incerteza jurídica.

Os EAU modernizaram o seu regime sucessório, mas o planeamento proativo continua a ser responsabilidade de cada pessoa. Um testamento registado não é apenas um documento jurídico — é o mecanismo que transforma a intenção em proteção executável.

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